Quem namora (não só à distância) sabe que sair com os amigos quando se tem namorada não é nem de longe tão divertido quanto sair com os amigos na condição de solteira. Primeiro, porque os amigos se dividem em dois grupos: solteiros e casais. Os solteiros geralmente saem para paquerar. E os casais não querem saber de vela (a não ser que sejam outros casais). Ou seja: quem namora e não tem a namorada por perto é um pária da sociedade, um excluído. Eu, por exemplo, não gosto de segurar vela. E nem acho graça (e nem acho lícito) paquerar outras pessoas. Acabo então, na maioria das vezes, indo só ao cinema, onde não têm apenas casais e a paquera não é obrigatória, mas isso acaba agravando a saudade, porque cinema é o lugar onde namorada mais faz falta, seja pra dividir a pipoca, os beijos ou as opiniões depois que o filme terminar.
Só quem tem que namorar pelo telefone sabe que essa história de ter menos brigas por causa da distância é pura ilusão de quem nunca passou por essa situação. A quilometragem que separa um casal é diretamente proporcional à quantidade de ciúme. Você, toda bem intencionada, confia na sua namorada, acredita que ela está lá tomando um choppinho com os amigos e sentindo tanto a sua falta quando você está dela. Até que chega a sua amiga e te diz que ela, com certeza, está na gandaia, que é pra você abrir o olho. Vem uma mina(ou um cara) que te paquera no barzinho (naquela tentativa que você fez de sair com a amiga solteira) e te pergunta – quando você diz pra ela(ou ele) cair fora porque é comprometida – se você sabe o que a sua namorada está fazendo naquele minuto. Chega o seu amigo que já passou por essa situação e manda você fazer marcação cerrada, porque mulher lésbicas é tudo igual (a homem) e quando bebe esquece do estado-civil. É difícil, depois desse bombardeio, a confiança ficar intacta, ainda mais se você telefona pra provar que todo mundo está enganado e o celular dela cai na caixa-postal... Acabamos gastando o precioso tempo dos encontros discutindo a relação enquanto poderíamos estar repondo o tempo perdidoQuem passa a maioria dos dias longe do namorado sabe como é chata a condição de se ter que ir embora bem na melhor parte. Porque é assim: depois de separados por um período, não é a mesma coisa se encontrar como se vocês tivessem se visto na noite anterior. O reconhecimento demanda um tempo. Você estranha a pessoa um pouco. Vários pensamentos vêm à cabeça: “Que blusa nova é essa?”, “Quem são esses amigos que eu não conheço?”, “Que gíria diferente é essa que ela aprendeu a usar?” Coisinhas bobas, que quem convive no dia-a-dia não tem que passar, pois sabe de quem ela pegou a gíria, ajudou ela a comprar a blusa, viu ela fazer a nova amizade. Você demora um tempinho, mas acaba se acostumando e até gostando das novidades. Então, bem nesse momento, você olha o calendário e vê que já vai embora amanhã. No próximo encontro outras novidades terão tomado lugar dessas que você já conhece e lá vai você passar por outra adaptação.
Só quem namora assim, de longe, sabe que mesmo com todas essas dificuldades, o amor compensa. Porque quando o namorada chega, o mundo fica mais colorido. Os poucos momentos são tão intensos que se estocam na memória, nos abastecendo até a próxima dose. E só quem namora desse jeito sabe o quanto é bom ter a esperança de que um dia aquela distância encurtará de vez e os encontros não terão prazo, necessidade e nem vontade de acabar...

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